Investigação aponta violência prolongada contra jovem e situação de abandono envolvendo crianças com autismo
A Polícia Civil concluiu uma investigação em Confresa, no nordeste de Mato Grosso, e indiciou um homem pelos crimes de estupro de vulnerável continuado e maus-tratos contra os enteados. O caso envolve uma jovem de 19 anos e duas crianças, de 6 e 11 anos, diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) não verbal.
Conforme apurado pelo Núcleo Especializado de Atendimento à Mulher e Vulneráveis, a jovem relatou que os abusos começaram ainda na infância e teriam ocorrido de forma recorrente ao longo dos anos, acompanhados de ameaças, agressões e intimidação.
As investigações foram intensificadas após uma denúncia registrada no último fim de semana. Durante cinco dias, equipes policiais realizaram diligências, ouviram testemunhas e reuniram laudos técnicos e exames periciais.
Além das denúncias de violência sexual, os policiais identificaram um ambiente de extrema vulnerabilidade dentro da residência da família. Relatórios apontaram sinais de negligência, falta de alimentação adequada, ausência de medicamentos essenciais e condições precárias de higiene.
Segundo a polícia, as crianças também eram expostas a episódios constantes de agressões físicas.
Durante o início das apurações, o investigado chegou a ser preso em flagrante por posse irregular de armas e munições. Os materiais apreendidos estavam armazenados em locais acessíveis dentro da casa, o que colocava os menores em risco.
Apesar de ter sido liberado posteriormente em audiência de custódia relacionada ao porte ilegal de armas, o homem continuou sendo investigado pelos crimes contra os enteados.
A mãe das vítimas também foi indiciada por omissão, já que, segundo a Polícia Civil, havia indícios de que ela tinha conhecimento das violências e não tomou medidas para impedir os abusos.
Para garantir a proteção das vítimas, a Justiça determinou medidas protetivas que impedem qualquer contato dos investigados com os filhos.
O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público Estadual e ao Poder Judiciário para as providências legais.
Fonte: G1 MT



