Histórico de perdas gestacionais, abuso na juventude e possível surto psicótico são citados em análise sobre caso que chocou Mato Grosso
Um parecer técnico elaborado por especialistas da área de saúde mental trouxe novos elementos sobre o caso que resultou na morte da adolescente Emelly Beatriz Azevedo Sena, de 16 anos, grávida de nove meses. O documento sugere que um conjunto de fatores emocionais, psicológicos e sociais pode ter influenciado a conduta da acusada, Nataly Helen Martins Pereira.
Entre os pontos destacados estão episódios de depressão após gestação, abortos espontâneos traumáticos, histórico de abuso sexual ainda na adolescência e o uso frequente de substâncias psicoativas. O relatório também menciona a presença de crenças espirituais desorganizadas e possível alteração da percepção da realidade no período do crime.
O laudo foi assinado por profissionais especializados e anexado ao processo judicial com o objetivo de embasar um pedido de instauração de incidente de insanidade mental, conforme previsto na legislação. A solicitação partiu da defesa da acusada, que busca avaliar sua condição psicológica no momento dos fatos.
De acordo com o documento, baseado em entrevistas com a própria investigada e pessoas próximas, Nataly apresentava sinais de sofrimento psíquico intenso, incluindo episódios de desconexão com a realidade, relatos de vozes e pensamentos delirantes. Ela teria afirmado acreditar estar sob influência espiritual e demonstrado lapsos de memória em relação ao ocorrido.
Os especialistas apontam ainda hipóteses diagnósticas como transtornos relacionados ao uso de drogas, possíveis quadros psicóticos e alterações de personalidade, ressaltando que o estado mental da acusada pode ter se agravado ao longo do tempo, inclusive durante o período em que esteve presa.
Diante desse cenário, o parecer recomenda acompanhamento psiquiátrico especializado e a realização de uma avaliação mais aprofundada por equipe multidisciplinar, a fim de esclarecer a capacidade de entendimento e responsabilidade da ré no momento do crime.
Inicialmente, a acusada havia sido encaminhada para julgamento pelo Tribunal do Júri, porém a decisão foi anulada após questionamentos sobre sua sanidade mental. O caso segue sendo analisado pela Justiça, enquanto o Ministério Público contesta a necessidade da medida.
Segundo a investigação, a adolescente foi atraída até a residência da suspeita, onde foi morta. Após o crime, o corpo foi ocultado e o bebê retirado da vítima foi apresentado como se fosse filho da acusada em uma unidade de saúde, o que levantou suspeitas e levou à descoberta do caso.
A ré responde por diversos crimes graves, incluindo feminicídio qualificado, ocultação de cadáver e outros delitos relacionados. As investigações continuam para esclarecer todos os detalhes e circunstâncias do ocorrido.
Fonte: Olhar Juridíco



