Ação policial cumpre mandados em três estados, prende o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso e afasta conselheiros dos cargos. Mais de 180 policiais federais participam da operação.
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (29), a Operação Tomada de Contas, que investiga possíveis irregularidades envolvendo contratos administrativos e movimentações financeiras no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT).
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam veículos de alto padrão, quantias em dinheiro vivo, moedas estrangeiras e uma coleção de relógios de luxo. Entre os automóveis localizados estão um Audi e uma Mercedes-Benz branca. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre os proprietários dos bens apreendidos.
Um dos principais alvos da operação é o presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo, que foi preso durante a ação e encaminhado à sede da Polícia Federal, em Cuiabá.
Conforme informações preliminares, seis pessoas são alvos de mandados de prisão preventiva. Entre elas estão o consultor jurídico-geral do tribunal, Gregory Paiva Pires Moreira Maia; os servidores Felipe José Glinke e Adriangelo Barros Antunes; a secretária executiva Roseli Loss; e Gustavo Fernandes da Silva, além de Sérgio Ricardo.
A operação também determinou o afastamento dos conselheiros Guilherme Maluf e Alisson Alencar, que foram alvos de mandados de busca e apreensão. Valter Albano, conselheiro aposentado que integrou a comissão de fiscalização do órgão, também foi atingido por medida de afastamento.
Mais de 180 policiais mobilizados
A ofensiva conta com a participação de mais de 180 policiais federais e prevê o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 26 mandados de busca e apreensão. As diligências ocorrem em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
As medidas foram autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e incluem, além das prisões e buscas, o afastamento de sigilos e o bloqueio de bens.
O que está sendo investigado
Segundo a Polícia Federal, as apurações envolvem suspeitas de irregularidades na administração de contratos públicos. Uma das linhas investigativas considera que a suspensão de contratos teria sido utilizada como instrumento de pressão contra empresas fornecedoras, além de possíveis favorecimentos na liberação de recursos públicos.
Também são analisadas inconsistências em pagamentos realizados a empresas, movimentações financeiras consideradas atípicas e retiradas frequentes de dinheiro em espécie.
Os investigadores buscam identificar possíveis conexões entre créditos bancários e saques realizados nas dependências do próprio Tribunal de Contas.
Em tese, os fatos investigados podem envolver crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A operação tem como objetivo reunir provas e esclarecer a eventual participação dos investigados nos possíveis esquemas.
Fonte: Gazeta Digital – Yuri Ramires e Pablo Rodrigo.