Órgão federal entendeu que não há competência para investigar o caso, mas apontou indícios de estelionato e crimes contra a economia popular
O Ministério Público Federal (MPF) encaminhou à Polícia Civil de Mato Grosso uma denúncia envolvendo um suposto esquema de pirâmide financeira ligado às empresas M. Assessoria de Investimentos e Metaverso Soluções Digitais Ltda., com atuação em Cuiabá. Segundo o órgão, os investigados prometiam rendimentos de até 10% ao mês, o equivalente a aproximadamente 134% ao ano, atraindo centenas de investidores.
A investigação teve início após uma denúncia registrada na Sala de Atendimento ao Cidadão, relatando que investidores realizaram aportes financeiros, inclusive por meio de transferências via Pix, com promessa de lucros considerados seguros. Entretanto, após o encerramento das atividades das empresas, em novembro de 2024, os clientes não teriam recebido os valores investidos de volta, acumulando prejuízos.
Apesar da gravidade das denúncias, o MPF concluiu que o caso não se enquadra na competência da esfera federal, por não envolver diretamente bens, serviços ou interesses da União. O procedimento foi arquivado no âmbito do órgão e remetido à Polícia Civil de Mato Grosso, responsável pela continuidade das investigações.
Na decisão, o Ministério Público destacou que os fatos narrados podem, em tese, caracterizar crimes como estelionato, infrações contra a economia popular e exercício ilegal da atividade de assessoria de investimentos, uma vez que as empresas não possuíam autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para atuar no mercado financeiro.
O MPF também observou que o modelo de negócios apresentado apresentava características típicas de esquemas de pirâmide financeira, baseados na promessa de lucros elevados para atrair novos investidores.
Operação e bloqueio de bens
Em março de 2025, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já havia alertado o mercado sobre a atuação irregular da empresa Metaverso Soluções Digitais Ltda. e de seus responsáveis, Alan Augusto Pires Costa e Jonathan Rosa Vieira Bispo.
Segundo as investigações, mais de 600 investidores teriam sido prejudicados pelo esquema. Em fevereiro de 2026, a Justiça Estadual determinou o bloqueio de até R$ 30 milhões em bens e ativos financeiros das empresas e dos envolvidos, buscando garantir eventual ressarcimento às vítimas.
O caso ganhou novos desdobramentos com a Operação “Rede de Mentiras”, deflagrada em setembro de 2025, que resultou na prisão preventiva de Jonathan Rosa Vieira Bispo, apontado como um dos principais responsáveis pelo esquema. Ele permanece preso enquanto as investigações prosseguem.
Fonte: Repórter MT