Conselho de Sentença reconheceu o feminicídio e considerou histórico de violência doméstica que se estendeu por aproximadamente 35 anos. Após o crime, condenado teria lavado a faca e comemorado a morte da vítima.
Um homem identificado como Ivaldo foi condenado a 30 anos de prisão pelo assassinato da própria esposa, Ivaldete Coutinho de Oliveira, em Sorriso, no norte de Mato Grosso. A decisão foi tomada pelo Conselho de Sentença, que reconheceu a prática de feminicídio e acolheu a tese apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).
Conforme as informações do processo, a vítima foi atacada com mais de dez golpes de faca dentro do quarto da residência do casal. Ela chegou a receber atendimento do Corpo de Bombeiros, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos e morreu no Hospital Regional.
O neto do casal, de 14 anos, encontrou a avó gravemente ferida e acionou o socorro. O exame de necropsia apontou lesões no tórax, abdômen, costas e braços. A morte foi provocada por choque hemorrágico decorrente das perfurações.
Durante o julgamento, o Ministério Público apresentou provas de que a mulher enfrentava um histórico de violência, ameaças e intimidações ao longo dos cerca de 35 anos de relacionamento. Testemunhos e documentos também demonstraram as dificuldades enfrentadas pela vítima para romper a convivência com o agressor.
Entre os registros apresentados estava um boletim de ocorrência feito por Ivaldete em junho de 2013, quando relatou que pretendia deixar a residência para evitar consequências mais graves em razão das ameaças sofridas. O depoimento de uma das filhas também confirmou a existência de intimidações recorrentes.
Segundo os autos, em fevereiro de 2025, a vítima chegou a sair de casa e permaneceu aproximadamente 15 dias na residência da filha. Posteriormente, retornou após insistência do marido. Meses depois, foi assassinada.
As investigações também apontaram que, depois do crime, Ivaldo lavou a faca utilizada no ataque, deixou o local de carro e procurou a residência de um funcionário, a quem pediu que guardasse o veículo. Na ocasião, teria confessado o assassinato da esposa. A autoria também foi confirmada em uma conversa com uma das filhas.
O suspeito fugiu inicialmente, mas foi localizado e preso pela Polícia Militar, apresentando dois ferimentos no braço direito. Durante o julgamento, um policial relatou que, ao ser informado sobre a morte da vítima, o homem teria respondido: “Graças a Deus”.
A condenação reconheceu que o assassinato ocorreu em um contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher, caracterizando feminicídio.
Ivaldete era conhecida em Sorriso e teve sua trajetória reconhecida pela comunidade. Após sua morte, a Prefeitura decretou três dias de luto oficial e manifestou solidariedade aos familiares e amigos.
Fonte: Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) / RD News.