Família denuncia demora na rede pública de saúde e questiona atendimento que só foi liberado após a morte da paciente
A demora no atendimento psicológico pela rede pública de saúde de Cuiabá gerou indignação após uma família receber, cerca de dois anos depois, a confirmação de que uma consulta havia sido autorizada. A paciente, Sidelia Paula da Silva, de 58 anos, morreu em 2024.
A denúncia foi feita pela filha, Janaíra Soares, servidora da Defensoria Pública de Mato Grosso. Segundo ela, a mãe enfrentava depressão e, após passar por atendimento médico em uma unidade de saúde, recebeu encaminhamento para acompanhamento psicológico. O pedido foi inserido na rede de regulação do município.
No entanto, conforme o relato da família, somente em julho deste ano a Secretaria Municipal de Saúde enviou uma mensagem informando que a consulta psicológica solicitada anteriormente havia sido autorizada.
“Minha mãe morreu, mas o sistema público de saúde de Cuiabá também tem culpa”, afirmou Janaíra ao relatar a situação.
Segundo a filha, Sidelia inicialmente resistiu à ideia de buscar tratamento psicológico e acreditava que a depressão poderia ser tratada apenas com medicamentos. Depois da insistência dos familiares, ela concordou em procurar atendimento, mas optou pelo acompanhamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A paciente trabalhava com serviços gerais em uma empresa terceirizada. De acordo com a família, ela tinha planos para o futuro e estava a aproximadamente um mês de se casar novamente na igreja.
Para Janaíra, além da dor pela perda da mãe, ficou o sentimento de impotência diante da demora para conseguir acesso ao atendimento especializado.
O caso levanta novamente o debate sobre a demora na regulação de consultas e o acesso à saúde mental na rede pública, especialmente para pacientes que necessitam de acompanhamento psicológico.
Fonte: Portal do Povo / informações da família e entrevista à coluna Mirelle Pinheiro