Número representa quase metade da população adulta do estado; dívidas permanecem, em média, por mais de dois anos em atraso
Mato Grosso tem aproximadamente 1,5 milhão de consumidores adultos com algum tipo de restrição de crédito, segundo levantamento do SPC Brasil realizado para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá).
Os dados referentes a julho apontam que o índice de inadimplência no estado cresceu 6,50% na comparação com julho de 2025. Em relação ao mês anterior, houve uma leve retração de 0,06%.
O cenário coloca Mato Grosso próximo aos indicadores registrados na região Centro-Oeste. Em julho, 48,39% da população adulta da região estava inadimplente, enquanto o crescimento anual ficou em 6,34%, abaixo da média nacional, de 7,80%.
Quem está mais endividado
O levantamento mostra que os homens representam 53,44% dos consumidores inadimplentes, enquanto as mulheres correspondem a 46,56%.
Entre as faixas etárias, os consumidores de 30 a 39 anos concentram a maior parcela, com 26,85%. Em seguida aparecem as pessoas de 40 a 49 anos (22,77%) e de 50 a 64 anos (19,90%).
Dívidas permanecem por anos
Em média, cada consumidor mato-grossense inadimplente acumula R$ 6.145,15 em dívidas, considerando todos os débitos em aberto.
O tempo médio de atraso chega a 28,7 meses, ou seja, mais de dois anos.
Entre as dívidas atrasadas, 35,12% estão entre um e três anos em aberto, enquanto 21,69% já ultrapassam quatro anos de atraso. As dívidas mais recentes, com até 90 dias, representam 8,55% do total.
O número de dívidas em atraso também apresentou crescimento: 12,63% na comparação anual e 0,69% em relação a junho de 2026.
Bancos concentram a maior parte
As instituições financeiras concentram 54,81% das dívidas dos consumidores de Mato Grosso. O comércio aparece na sequência, com 21,54%, enquanto a categoria “outros” responde por 10,72%. As contas de água e luz representam 8,90% e o setor de comunicação, 4,02%.
Para o presidente da CDL Cuiabá, Júnior Macagnam, mais do que o volume das dívidas, preocupa o período prolongado de inadimplência, que pode dificultar a retomada do consumo e a reorganização financeira das famílias.
O dirigente também chamou atenção para a importância da educação financeira e para os impactos das apostas no orçamento familiar.
Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) citados no levantamento apontam que os gastos das famílias brasileiras com apostas cresceram 500% em três anos, ultrapassando R$ 30 bilhões por mês em março de 2026.
Fonte: O Documento, com dados do SPC Brasil e CDL Cuiabá.