Polícia Civil aponta que grupo usou manipulação psicológica, falsas ameaças de agiotas e movimentou milhões de reais; operação cumpriu mandados de busca e bloqueou bens
A Polícia Civil de Mato Grosso investiga dois servidores efetivos da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), um policial militar e outros envolvidos por um esquema de extorsão que teria retirado mais de R$ 1,1 milhão de uma colega de trabalho ao longo de quatro anos. O caso é apurado no âmbito da Operação Laço Oculto, conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf).
Segundo as investigações, os servidores Deiwson Ortelhado e Fernanda Leite da Matta, ambos concursados há mais de 20 anos, utilizaram manipulação psicológica e falsas ameaças envolvendo supostos agiotas para manter a vítima sob constante pressão, obrigando-a a realizar sucessivas transferências bancárias entre os anos de 2022 e 2025.
De acordo com a Polícia Civil, o esquema começou quando um dos investigados pediu à colega o empréstimo de sua conta bancária, alegando dificuldades financeiras. Após uma movimentação inicial, os suspeitos passaram a afirmar que a servidora havia contraído uma dívida com criminosos e que deveria pagar altos valores para preservar a própria vida.
Durante o período, a vítima utilizou recursos da previdência privada, contratou empréstimos, realizou saques no cartão de crédito e gastou economias destinadas à construção de sua residência para atender às exigências dos investigados.
As investigações também apontaram que o grupo contava com a participação de um policial militar, apontado como responsável por articular o fluxo financeiro, além de dois intermediários, conhecidos como “laranjas”, residentes em Várzea Grande.
Análises de inteligência financeira, autorizadas pela Justiça, identificaram movimentações incompatíveis com a renda declarada dos investigados. Segundo o delegado Hugo Abdon Lima, um dos alvos chegou a movimentar aproximadamente R$ 7 milhões, valor considerado incompatível com sua atividade profissional, levantando suspeitas de lavagem de dinheiro.
Nesta fase da operação, a Justiça determinou o cumprimento de cinco mandados de busca e apreensão, o sequestro de seis veículos, uma motocicleta e o bloqueio de até R$ 3,3 milhões em contas bancárias dos investigados. Também foram impostas medidas cautelares que proíbem os suspeitos de manter qualquer contato ou aproximação da vítima.
Apesar das medidas judiciais, ninguém foi preso durante a operação. A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar possíveis novas vítimas e que os servidores públicos também responderão a procedimentos administrativos na esfera disciplinar.
Fonte: Repórter MT